Aquela história de ser o que se come…

* por Elisa Reifschneider.

Este é o último post da série A alimentação nossa de cada dia. Deixamos para fechar com chave de ouro, com uma temática importantíssima: a alimentação saudável.

Cabe aqui salientar que deve-se recorrer ao nutricionista ou ao médico para obter uma orientação mais detalhada e específica de acordo com as necessidades alimentares de cada um. Isso não exclui, no entanto, a possibilidade de se informar com qualidade e se responsabilizar por esta grande parcela da própria saúde que é o que se ingere. Afinal, a maior parte das pessoas que tem condições financeiras para isso come no mínimo três vezes ao dia e esta é uma oportunidade enorme de fortalecer as defesas do organismo, por um lado, ou, por outro, de intoxicá-lo. Três vezes por dia, todos os dias, ao longo de vários anos. O efeito cumulativo disso, para o bem ou para o mal, é imenso.

Está claro que a experiência de cada um é única, mas na minha pude observar uma melhora brutal em indicadores clínicos e exames laboratoriais a partir do corte de alimentos industrializados (basicamente, tudo que vem com listinha de ingredientes). Não passei fome, não restringi nenhum grupo alimentar, não cortei a sobremesa… mas passei a ler os ingredientes das coisas (experiência assustadora, diga-se de passagem). Orientada por boas fontes de dados tirei corantes, conservantes e o excesso de açúcar refinado. Passei a fazer melhores escolhas e combinações de alimentos. Além dos benefícios na saúde, me surpreendi com o quanto que o paladar muda e de repente aquele refrigerante amado, do tipo eu-não-consigo-pensar-na-vida-sem-você, se torna doce demais, enjoativo, e você não tem que fazer nem força para recusá-lo.

Para quem entra nessa jornada, curiosamente, as vezes o mais difícil não é só adaptar as receitas, reorganizar os horários, passar a fazer feira, entrar na cozinha e botar a mão na massa… as vezes o mais difícil é lidar com o lado social da comida, recusar alimentos que muitas vezes estão ligados à expressão de afeto por familiares, amigos e colegas que podem inadvertidamente sabotar a tentativa da pessoa de se cuidar mais. Quem sabe então da próxima vez que seu amigo recusar aquela bolacha deliciosa que é recheada de vermelho (prova só um pouquinho, é tão bom!) talvez seja o caso de não insistir demais, combinado?

Bom, deixo aqui para vocês duas indicações de caminho, de materiais sérios que eu achei interessantíssimos e que me ajudaram nessa caminhada. Existem vários assim, mas também vende-se muito gato por lebre. Então é importante checar de onde provém a informação.

Escrito pelo neurocientista francês David Servan-Schreiber o livro “Anticâncer, prevenir e veanticancerncer usando nossas defesas naturais” é na minha opinião o melhor livro que eu já li em termos de orientação alimentar acessível (e não se restringe de forma alguma só a quem teve câncer).

Aos 31 anos o autor descobriu que tinha um tumor maligno agressivo no cérebro e começou a pesquisar como ele próprio poderia ajudar a sua recuperação, em complementação à cirurgia feita e aos tratamentos quimioterápico e radioterápico em curso. Desta ampla pesquisa nasceu este livro, que apresenta diversas orientações de alimentação e aprimoramento da saúde física e mental a partir da integração cuidadosa dos resultados de inúmeros estudos científicos. Na parte específica relativa à alimentação, não é sugerida nenhuma dieta ou tratamento bizarro ou muito restritivo, mas sim orientações precisas a respeito de várias ervas, condimentos, cereais, frutas, verduras, oleaginosas e gorduras boas que visam fortalecer as defesas naturais do corpo e dar ao sistema imune a melhor chance possível na luta contra doenças. As referências bibliográficas são de periódicos científicos do porte do JAMA, New England Journal of Medicine, Science, Nature e vários periódicos conhecidos de imunologia, farmacologia e oncologia.

A outra indicação é a palestra abaixo, do pesquisador de câncer e médico William Li, que também frequenta as páginas de vários jornais importantes de oncologia. Apesar de ser em inglês é possível selecionar legendas em português clicando na aba “subtitles” assim que o vídeo inicia. Esta palestra fala sobre a influência de alimentos específicos na angiogênese – a criação de novos vasos sanguíneos, e como isso pode ser usado no tratamento de diversas doenças, inclusive o câncer. Vale muito a pena ver.

Nós esperamos que vocês tenham gostado da série sobre alimentação e que os temas tratados tenham instigado a curiosidade de cada um e tenham levado pelo menos alguns de vocês a desbravar as panelas, batedeiras e fornos que existem naquele lugar mágico da onde saem pães com ervas, bolo de banana com raspinhas de laranja e salada de verão com molho de framboesa na mão dos mais habilidosos, mas que está lá para todo mundo conhecer, e vai te receber mesmo que por enquanto você ainda esteja queimando o arroz. Tente, experimente, você só tem a ganhar.

Fiquem de olho na nova série de posts de uma nova temática que terá início na última semana de abril.

Até lá!

* psicóloga clínica do CAEP.

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