E quando comer se torna um problema?

Por Renata Duarte*

A ingestão de alimentos diminui aquela sensação de fome e supre as nossas necessidades nutricionais, sendo, portanto, essencial para o bom funcionamento do nosso organismo. Porém, a ausência de hábitos alimentares saudáveis associada ao baixo custo e a facilidade de acesso a alimentos ricos em gordura e açúcar, contribuem para o aparecimento dos distúrbios alimentares. Esse tipo de alimento possui um baixo valor nutricional, mas é bastante consumido na hora do lanche ou entre as refeições. Afinal, quem resiste a um bom biscoito recheado ou a um salgadinho da padaria? E por que será que esse tipo de alimento, rico em açúcar, gordura e extremamente palatáveis e calóricos são consumidos em excesso?

Nesse contexto, é preciso considerar que o comportamento alimentar é controlado por um conjunto complexo de mecanismos fisiológicos e psicológicos, sendo influenciado por diversos processos neurais. Os alimentos ricos em açúcar e gordura são bastante prazerosos devido à capacidade de ativar um circuito de recompensa no cérebro (“via neural de recompensa/prazer”). O valor hedônico (prazeroso) desse tipo de alimento é cada vez mais reconhecido como uma importante causa para o aumento das desordens alimentares. A ingestão excessiva de alimentos altamente palatáveis pode induzir alterações neuroquímicas e comportamentais que se assemelham à dependência por drogas de abuso, tais como a cocaína. O indivíduo dependente por alimentos exibe sensações de ansiedade na ausência do alimento, perda do controle no consumo e episódios compulsivos, similar ao que ocorre com usuários de drogas de abuso, uma vez que envolve bases neurais comuns.

Especificamente, dentre os distúrbios alimentares, a compulsão alimentar está intimamente relacionada à dependência por alimentos, sendo caracterizada pelo consumo rápido e excessivo de alimentos em um curto intervalo de tempo, na ausência de sinais de fome. Fatores como o estresse e restrição calórica (como realizado nas dietas sem acompanhamento nutricional) podem gerar uma hiperatividade do sistema de prazer do cérebro, resultando na ingestão excessiva de alimentos altamente palatáveis. Indivíduos com compulsão alimentar apresentam uma maior propensão para desenvolverem síndromes metabólicas, tais como a obesidade, que se tornou um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil.

Dessa forma, o ambiente moderno promove excesso de peso e inibe o gasto de energia, portanto, faz-se necessário a aquisição de hábitos alimentares saudáveis associados às práticas esportivas e mudanças no estilo de vida que favoreça o equilíbrio do organismo em termos energéticos, nutricionais e inclusive “neurais”.

*Doutoranda em Biologia Animal UnB – Neurociências e Comportamento

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