Enfrentando o Sofrimento Mental na Universidade – parte 2

No texto anterior, da nossa Psicóloga Voluntária Raphaela Ganesha, você leitor pôde ter uma boa noção de como a vida universitária pode ser permeada por percalços e situações difíceis, para as quais muitas vezes a pessoa não possui habilidades e estratégias para lidar com tais dificuldades de forma assertiva. Pensando nisso, ainda no texto anterior, ela começou uma conversa sobre os chamados “Fatores de Proteção”, que são comportamentos, características e aspectos da vida de cada um que auxiliam na prevenção de desfechos negativos diante de situações difíceis. Neste texto quero dar uma atenção especial a alguns sobre os quais que você mesmo pode agir durante a sua vivência universitária, são eles:

Laços sociais

Poder contar com pessoas, sejam da família ou do seu círculo de amizades, possam  ajudar a pensar em saídas e soluções possíveis e saudáveis nos momentos em que você não estiver conseguindo, nas situações mais difíceis, e até podem lhe ajudar a buscar ajuda quando necessário. Conheça seus colegas de sala de aula, tenha pessoas com quem conversar sobre as dificuldades vividas na vida universitária, com certeza há mais pessoas que passam por momentos difíceis também e que juntos vocês poderão pensar em como lidar com toda a pressão, ansiedades, dificuldades nos estudos, responsabilidades e demais questões que se fazem presentes neste momento da vida.

Cuidados com a saúde mental/ estilo de vida saudável

Decidi juntar esses dois, pois acredito que uma coisa influencie diretamente  na outra. Aliás, não sou apenas eu que acredito, mas estudos e pesquisas recentes têm mostrado como esta relação entre estilo de vida saudável e saúde mental estão intimamente ligados. Por isso a dica aqui é tentar organizar, dentro da sua rotina diária, momentos de cuidados com a saúde. Cuidar da alimentação, praticar exercícios, ter um hobbie, fazer uma disciplina optativa de outro curso que te interesse, sair com os amigos para tomar um café e jogar conversa fora, tudo isso e muitas outras coisas são possíveis durante a universidade. Algumas universidades oferecem programas de cuidados com a saúde, procure e se informe sobre o que há de atividades na sua! Pense em como, dentro de suas possibilidades, você pode cuidar da sua saúde!

Capacidade de procurar ajuda

Quando nos sentimos à vontade para falar sobre nossos problemas, podemos buscar ajuda em pessoas que confiamos para solucionar uma situação difícil. Às vezes não é tão simples assim perceber que estamos precisando de ajuda, mas se você perceber que está faltando às aulas, se afastando dos amigos e família, ficando mais irritado(a), sem paciência, dormindo demais ou quase nada, perdendo ou ganhando peso sem fazer algo para isso, é sinal de que você está precisando de ajuda. Além dos amigos, há também serviços especializados que podem ser procurados. Além de clínicas-escola há também serviços que a própria universidade pode oferecer aos alunos, como auxílio pedagógico, auxílio socioeconômico, entre outros. Aqui também vale você se informar sobre o que existe na sua universidade de programas ou diretorias que possam dar auxílio aos alunos.

Autoestima e outros fatores individuais

Também já é sabido que autoestima, autoeficácia, habilidades sociais, entre outras questões mais internas e individuais são fortes fatores protetivos da sua saúde mental. Eles podem ser trabalhados e aprimorados por meio de estratégias diversas, que vão desde cuidados básicos com o bem-estar até psicoterapia. Pense como você está nestes aspectos e se eles mais ajudam ou prejudicam sua saúde mental e, caso avalie que precisa, busque ajuda!

 

Caso você esteja precisando, procure um serviço especializado ou ligue gratuitamente no CVV (188).

Para acessar à listagem de serviços especializados na UnB e no DF, acesse https://unbcaep.wordpress.com/links-uteis/

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Setembro Amarelo

Hoje o Grupo Entrelinhas e o CAEP, em uma parceria com o CRP/DF, receberam a psicóloga Rosana D’Orio e o psicólogo Vitor Barros para conversar com professores dos mais diversos cursos da UnB acerca do sofrimento nas universidades e do papel dos docentes em tempos de crise. Ficamos extremamente felizes de ver o auditório lotado com professores de toda a UnB engajados com a questão da saúde mental na universidade. Esperamos ter lançado a semente de um espaço de discussão maior que precisa existir e ficamos empolgados com a resposta positiva da comunidade ao nosso trabalho. Rosana, Vitor e gestão do CRP/DF: fica aqui o nosso muitíssimo obrigado e a certeza de que o trabalho conjunto e parceiro é o caminho.

Enfrentando o Sofrimento Mental na Universidade

A depressão é um dos maiores males presentes na nossa sociedade, e de acordo com a OMS afeta milhares de pessoas. Sabemos que a vida na universidade não é composta apenas de bons momentos, e esse texto vem conversar um pouco com vocês sobre algumas estratégias que podem auxiliar a enfrentar essa etapa complicada na vida de muitos estudantes. É importante que percebam que não estão sozinhos nessa luta, e vocês podem ter o apoio uns dos outros, além do apoio de professores e demais funcionários. Então a grande pergunta é: como podemos identificar e ajudar as pessoas ao nosso redor? Alguns dos sintomas da depressão incluem: perda de energia, isolamento social, alteração no sono, tristeza profunda, dores no corpo, e vários outros que contribuem para a essa sensação de não haver saída.

Durante a nossa vida podemos encontrar uma série de situações que parecem gerar uma enorme bola de neve, e conforme essa bola cresce, parece ficar cada vez mais pesada, dificultando até mesmo nossa movimentação. É como se tudo isso sugasse nossa energia e aos poucos tudo vai perdendo seus sons e cores. Sentir-se assim, muitas vezes é tão angustiante, tão sofrida, que a pessoa em um ato desesperado para fugir dessa situação acaba por agir de forma impulsiva.  

Mas podemos auxiliar esses colegas através dos chamados Fatores de Proteção os quais podem amenizar o peso deste cenário. De acordo com Anderson Pereira (2016), psicólogo da Universidade do Rio Grande do Sul, esses fatores de proteção se encontram no ambiente inserido e nas características pessoais de cada um, como autoestima. Esses dois elementos de acordo com a Doutora e psicóloga Beatriz Parente (2012), englobam religiosidade, vínculos saudáveis e constantes, teste de realidade, capacidade de tolerância ao estresse e outros, entre outras.

Dentro de tudo que foi dito até então, percebemos que precisamos estreitar nossos laços dentro da Universidade, fortalecendo a nossa própria rede de apoio, assim como a de nossos colegas. É importante termos com quem dividir o peso, e até mesmo ter alguém que nos auxilie a perceber a realidade nesses momentos difíceis, em que acabamos por distorcer nossa visão; às vezes, nas dificuldades, simplesmente não conseguimos perceber sozinhos as saídas que existem.

E como podemos intensificar esses laços? Podemos buscar interagir com nossos colegas de sala, buscar hobbies que podem ser oferecidos por outros cursos, podemos buscar conversar com aquele colega que está sempre sozinho, observar melhor nossa forma de lidar com o outro e nossas falas – uma vez que a brincadeira nem sempre pode ser interpretada por todos apenas como algo inofensivo, pois nem sempre conhecemos a história daquela pessoa e as associações que ela irá fazer. Você também pode buscar ter um estilo de vida mais saudável, praticar esportes, ou alguma atividade que lhe dá prazer como pintura, teatro, música. Podemos ainda, buscar ouvir o nosso colega, uma escuta diferenciada, sem julgamentos, a qual essa pessoa se sentirá acolhida e valorizada como ser humano.

Essas medidas são fundamentais, e auxiliam a pessoa que sofre de depressão, mas apenas isso não basta. É necessário que você, ao identificar algum colega com os sintomas, também o aconselhe a procurar um serviço especializado, como clínicas escolas, centros de formação, além da própria rede de saúde, os quais oferecem atendimentos psicológicos, ou mesmo uma clínica que atenda a preço social. Além de tudo que colocamos, não deixe de aconselhar seu colega a procurar psicoterapia, seu apoio e compreensão podem fazer a diferença.

*Raphaela Ganesha – Psicóloga Voluntária no Entrelinhas/CAEP

Caso você esteja precisando, procure um serviço especializado ou ligue gratuitamente no CVV (188).
Para acessar a listagem dos serviços especializados na UnB e no DF, acesse https://unbcaep.wordpress.com/links-uteis/

Reunião Geral de Orientação

Convidamos terapeutas e supervisores para nossa reunião semestral de orientação, a ser realizada nesta sexta-feira dia 24 de agosto às 14:00.

Serão abordados os procedimentos, rotinas e regras do Centro e apresentados a equipe administrativa e psicológica, o espaço físico e os recursos virtuais.

Lembramos que a reunião é obrigatória para novos terapeutas. Terapeutas que estão conosco há mais tempo e que não puderem comparecer devem acompanhar mudanças e atualizações de rotina no site.

Rede de apoio à saúde mental na UnB

Daqui a poucos dias começa o novo semestre e achamos importante que todos vocês da nossa comunidade interna saibam quais os serviços que existem disponíveis na UnB para cuidado da saúde mental.

Este pequeno documentário da UnBTV apresenta os vários locais do campus que podem ser procurados. Lembrem-se também que na nossa página a aba links úteis também lista as várias opções de ajuda.

Vamos juntos 🙂